
Dados do autismo
De acordo com a organização mundial da saúde há cerca de 70 milhões de autistas, sendo que no Brasil estima-se cerca de 2 milhões, onde a prevalência é de 1 autista para cada 54 pessoas. Uma das características observada em crianças autistas é a presença de alteração nos hábitos e distúrbios do trato gastrointestinal.
Apesar do Transtorno Espectro Autista, ser reconhecido com um distúrbio neurológico, estudos vêm mostrando a relação da microbiota intestinal com as desordens do autismo. Entre as questões levantadas pelas pesquisas é que desde o nascimento crianças autistas não apresentam desenvolvimento normal da flora intestinal que podem estar relacionado com a seletividade e recusa alimentar acentuada.
Eixo-Intestino-Cérebro
A relação intestino-cérebro vem sendo estudado cada vez mais fundo, pois as atividades realizadas pelo intestino se relacionam com o cérebro e sistema nervoso central. Além disso, observa-se a ligação com o sistema entérico, que se conectam aos centros emocionais e cognitivos do cérebro às funções intestinais, por ligações neurais, endócrinas, humorais e imunológicas.
No decorrer dos anos, a criança experimenta uma gama de alimentos, texturas e sabores e a recusa alimentar na primeira infância é algo frequentemente observado, entretanto, crianças autistas apresentam uma recusa alimentar mais acentuada devido às alterações sensoriais relatadas em cerca de 90% da população autista, que alteram as percepções de olfato, paladar, auditivas e visuais.
Seletividade Alimentar no autismo
A repetitividade e inflexibilidade são características presente na maioria das crianças autistas, o que dificulta a introdução de novos alimentos e geram restrição e seleção na alimentação podendo colocar em risco a ingestão nutricional adequada.
Por conta da recusa alimentar é observada uma carência nutricional, podendo ser necessária à suplementação, como por exemplo, o ômega 3 que vem sendo estudado e indicado para a melhora das funções neurais, além disso dietas sem glúten e sem caseína tem se mostrado eficiente em alguns casos, porém ainda não há forte evidência para se considerar uma dieta indicada para todo o grupo autista, como também a utilização de prebióticos vem ganhando força para a regulação da microbiota intestinal e das desordens comportamentais.
Entretanto ainda há escassez em estudos que avaliem a seletividade, recusa e dieta alimentar no TEA, sendo assim, houve o interesse em pesquisar melhor as causas e a presença da seletividade no grupo autista.
Estudo de Mestrado- Seletividade Alimentar no Autismo
Em uma pesquisa de mestrado realizado pela UNESP de Araraquara, que avaliou a seletividade alimentar de crianças autistas e neurotípicas, observou uma maior presença em crianças autistas do sexo masculino 77%, o que condiz com a literatura que observa um maior número de meninos autistas, além disso, entre os graus de autismo o nível 1 (leve) apresentou se predominante com 69 % dos participantes, em relação a seletividade, o grupo autista apresentou uma maior variabilidade limitada quando comparada ao grupo neurotípico.
Quando observado as medidas antropométricas de peso e idade, as crianças autistas apresentaram um maior índice de sobrepeso em 41% quando observado ao grupo neurotípico de 8%, esse aumento de peso pode ocorrer por diversos motivos sendo eles: o maior consumo de alimentos com alta densidade calórica e a utilização de medicamento que podem gerar o ganho de peso, além disso, há uma associação de problemas neurológicos com o ganho de peso.
A pesquisa está em processo de finalização, as próximas análises podem apresentar relações e observações que podem apresentar a correlação da seletividade alimentar das crianças autistas com o estado nutricional de sobrepeso.
Para participar da pesquisa basta acessar o link https://forms.gle/XsG78UL6rsLHpEqy5 e responder o questionário que tem como objetivo entender e auxiliar crianças autistas com seletividade alimentar.
Crédito: Francielle de Oliveira Tonon – CRN3 45155 ( Mestranda em Nutrição pela UNESP, Graduada em Nutrição pela UNIARA, Especialização em Nutrição no Autismo e em Alergias alimentares, Ansiedade e Distúrbio do sono)
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